

Destilando o sarcasmo que tempera sua escrita, o autor faz questão de apontar na obra a inconsistência moral da divindade judaica que serviu de base para o Deus criado à imagem e semelhança do das maiores religiões monoteístas: judaísmo, islamismo e cristianismo.
Lançado em 2009, o livro já coleciona uma série de protestos dos religiosos, especialmente os vindos das fileiras católicas, descontentes com aquilo que, em cada página, chamam de blasfêmia. Na prática, configura excelente propaganda para o escritor, e, muito merecida por sinal.
Em “Caim”, Saramago não conta com a novidade da sua perspectiva sobre Deus, como em “Evangelho segundo Jesus Cristo”, mas consegue, numa obra mais sucinta, condensar o seu argumento: desmitificar a tão propalada “perfeição do Senhor”. E isso é feito do modo mais natural, por assim dizer.
Explico: O autor de “Caim”, a fim de evidenciar os desvios de caráter de Deus, não faz mais do que recontar algumas passagens bíblicas que põem em relevo a duvidosa moralidade da divindade cristã.
Como é óbvio, tudo isso é feito por meio dos recursos estilísticos que fazem do livro obra fundamental para quem pretende repensar seus dogmas em grande estilo. As hipérboles, as comparações e as metáforas de Saramago certamente não fazem parte da Bíblia, elas realçam apenas o argumento do autor.
O livro conta a história do primeiro assassinato. Caim mata seu irmão Abel. Deus visita Caim para puni-lo. Este, porém, argumenta alegando o descuido Divino com sua criação. Deus, num lapso de autoconsciência, ao de matar Caim, condena-o a vida errante pelo mundo guardando-o da morte.
Caim então passa, por uma inexplicável circunstância, a viajar no tempo visitando consagradas cenas bíblicas que vão desde o sacrifício de Isaac até o dilúvio.
Relatos que, mesmo quando lidos na própria Bíblia, deixam Deus em maus lençóis, exceto, é claro, para os que ensaiam sua própria cegueira. Se você ainda não leu Saramago, “é uma ótima oportunidade de conhecê-lo”


15:51
KADS
Sempre tive a pretensão de criar uma estória de sabedoria: essas com discípulos, mestres sábios com perguntas, respostas sábias e moral, mas nunca fui capaz. Por conta disto, vou tentar reproduzir algumas que li, duas de Paulo Coelho. A primeira o ocorreu nos confins do Tibete, em um mosteiro Budista. Vivia nele um ermitão muito admirado por sua sabedoria. Um dia esse monge recebeu a incumbência de recepcionar um próspero empresário de Hong Kong.
O Fazendeiro Celestino se sentia um homem realizado e até feliz ao olhar para sua Fazenda de Café: era a maior da região e também a mais produtiva. Os pés de café e se perdiam de vista, muito bem cuidados com as mais modernas técnicas, pois ao contrário de outros fazendeiros da Região de Santana do Deserto, Celestino era um homem muito bem instruído, formado em Veterinária, profissão que nunca exercera, pois herdara muito jovem, logo após o término dos estudos, a fazenda.
Aconteceu há muito, muito tempo atrás na Suíça.

