terça-feira, 17 de abril de 2007

Caim: boa razão para ler Saramago

Em Caim Saramago coloca Deus em maus lençois.
O último romance do escritor português José Saramago, Nobel de literatura em 1998, falecido aos 87 anos em 18/06/2010, “Caim”, tomou carona no sucesso do polêmico “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. À semelhança deste, Saramago em “Caim” não é nada complacente com Deus.

José Saramago autor de Caim.
Destilando o sarcasmo que tempera sua escrita, o autor faz questão de apontar na obra a inconsistência moral da divindade judaica que serviu de base para o Deus criado à imagem e semelhança do das maiores religiões monoteístas: judaísmo, islamismo e cristianismo.

Lançado em 2009, o livro já coleciona uma série de protestos dos religiosos, especialmente os vindos das fileiras católicas, descontentes com aquilo que, em cada página, chamam de blasfêmia. Na prática, configura excelente propaganda para o escritor, e, muito merecida por sinal.

Em “Caim”, Saramago não conta com a novidade da sua perspectiva sobre Deus, como em “Evangelho segundo Jesus Cristo”, mas consegue, numa obra mais sucinta, condensar o seu argumento: desmitificar a tão propalada “perfeição do Senhor”. E isso é feito do modo mais natural, por assim dizer.

Explico: O autor de “Caim”, a fim de evidenciar os desvios de caráter de Deus, não faz mais do que recontar algumas passagens bíblicas que põem em relevo a duvidosa moralidade da divindade cristã.

Como é óbvio, tudo isso é feito por meio dos recursos estilísticos que fazem do livro obra fundamental para quem pretende repensar seus dogmas em grande estilo. As hipérboles, as comparações e as metáforas de Saramago certamente não fazem parte da Bíblia, elas realçam apenas o argumento do autor.

O livro conta a história do primeiro assassinato. Caim mata seu irmão Abel. Deus visita Caim para puni-lo. Este, porém, argumenta alegando o descuido Divino com sua criação. Deus, num lapso de autoconsciência, ao de matar Caim, condena-o a vida errante pelo mundo guardando-o da morte.

Caim então passa, por uma inexplicável circunstância, a viajar no tempo visitando consagradas cenas bíblicas que vão desde o sacrifício de Isaac até o dilúvio.
Relatos que, mesmo quando lidos na própria Bíblia, deixam Deus em maus lençóis, exceto, é claro, para os que ensaiam sua própria cegueira. Se você ainda não leu Saramago, “é uma ótima oportunidade de conhecê-lo”

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Estória de sabedoria é sempre bom

Sábio de estória.Sempre tive a pretensão de criar uma estória de sabedoria: essas com discípulos, mestres sábios com perguntas, respostas sábias e moral, mas nunca fui capaz. Por conta disto, vou tentar reproduzir algumas que li, duas de Paulo Coelho. A primeira o ocorreu nos confins do Tibete, em um mosteiro Budista. Vivia nele um ermitão muito admirado por sua sabedoria. Um dia esse monge recebeu a incumbência de recepcionar um próspero empresário de Hong Kong.

O bem sucedido homem de negócios ficou vários dias e teve inúmeras entrevistas com o monge, numa destas conversas ele indagou:
-Mestre como o Senhor pode ser feliz vivendo aqui, sem luxo, dinheiro, poder, mulheres... e sem nada a esperar do mundo?
-É justamente por isso que sou feliz.

Outra estória é dum promissor economista chinês que foi aconselhar-se com um sábio a respeito das muitas oportunidades que havia perdido, apesar de todos seus esforços:
-Mestre me diga o que faço? Estou correndo desesperadamente atrás de uma oportunidade sem nunca alcançá-la.
-Talvez você esteja correndo demais, já pensou em parar e espera-la.

Nesta o sábio tem uma participação diferenciada. O mestre para testar a perspicácia do sobrinho pegou uma vela acessa assoprou-a, apagando-a diante do menino e perguntou com um ar de superioridade:
-Menino me diga para onde foi o fogo?
O garoto olhou para vela e em seguida para o tio, que já tinha no rosto um ar de sastifação, e respondeu:
- O Senhor me diz de onde ele veio eu lhe digo para onde foi.

O sábio é o protagonista das estórias, não poderia falta nesta. Duas menininhas sapecas tiveram uma idéia para colocar o sábio no ridículo. Uma delas pegou uma borboleta e a fechou na mão e disse à amiguinha:
-Vou prender essa borboleta nas mãos e indagar a ele se está viva ou morta. Se ele responder que viva, eu a esmago; caso diga viva, eu apenas abro as mãos e ele perceberá que não é tão sábio como pensa.
E assim foram elas ao encontro do mestre para executar o plano e diante dele indagou:
- Tenho uma borboleta na mão, ela está viva ou morta?
- Isso depende de você, está em sua mão.

Essas são algumas estórias de sabedoria que sei e que você também de conhecer. Mas que é bom sempre repetir, são repetidas justamente por serem verdades, pois as mentiras não prevalecem, justamente por serem mentiras.

domingo, 15 de abril de 2007

A Triste Sobrevida de Celestino

Taioba.O Fazendeiro Celestino se sentia um homem realizado e até feliz ao olhar para sua Fazenda de Café: era a maior da região e também a mais produtiva. Os pés de café e se perdiam de vista, muito bem cuidados com as mais modernas técnicas, pois ao contrário de outros fazendeiros da Região de Santana do Deserto, Celestino era um homem muito bem instruído, formado em Veterinária, profissão que nunca exercera, pois herdara muito jovem, logo após o término dos estudos, a fazenda.

Quando seu pai morreu passou a tomar conta da fazenda e da família. O que ele fazia muito bem. Ele sempre contava orgulhoso como havia optado em ser Veterinário:

- Quando eu era menino encontrei um passarinho machucado e com muita dó dele, levei-o para casa e fiquei vários dias cuidando dele, curei a asa e dei a alimentação no bico. E para minha felicidade e de minha mãe, que sugeriu que o soltasse, o pássaro, ele ficou curado com os meus cuidados. No dia da libertação do pássaro e o lancei ao ar e ele saiu voando todo arisco e voou para bem longe, mas antes de ir definitivamente fez a volta e passou por nós, estava minha mãe, meus irmãos e eu, num vôo arrasante e minha mãe romanticamente disse:

- Ele passou sobre nós para agradecer.

Apesar do lado sentimental de Celestino, ele tinha outro lado que era duro, impiedoso e até cruel, características da maioria dos fazendeiros da Região. Dizia sempre à mãe: “Alguém tem fazer.”, quando ela o repreendia por ser muito duro com os empregados da fazenda.

Os empregados tinham muito medo de Celestino. Raramente se digiram à ele para pedir ou reclamar de alguma “coisa”, que eram muitas. A maioria dos empregados, exceto os capatazes, administradores e suas famílias, viviam com muito pouco e em tabernas muitos humildes. As crianças, com poucas exceções, eram desnutridas e com a saúde deveras frágil.

A situação do filho de Nazaré não era diferente. Estava desnutrido e com doença que se agravava a cada dia, principalmente por sua fraqueza e magreza decorrente de uma alimentação inadequada e insuficiente.

Numa manhã Nazaré vendo que seu filho morreria se ela não fizesse algo. Após ter pedido ajuda as várias pessoas responsáveis pelos empregados e a fazenda, sem obter sucesso algum, decidiu então procurar o dono da fazenda.

Nazaré foi com muito medo, com todos os empregados da fazenda “morria” de medo do patrão, era com os empregados chamava Celestino. Mas ela tomou coragem, afinal era a vida de seu filho, e foi. Ao chegar à Casa Grande foi recebida com indiferença e até desprezo, “engoliu” todos os mau-tratados das pessoas da casa e decidiu que não sairia dali sem fazer aquilo foi fazer ali. Esperou muito tempo, mais de hora, até que apareceu Celestino, com seu ar de superior, que lhe era característico e foi logo falando quase aos berros:

- O que você quer? Você não deveria está no cafezal?

Nazaré que chegara cheia de coragem foi logo intimidada com o tom da voz do patrão, mas foi corajosa, enfrentou o medo e consegui falou de uma forma bem clara, sem gaguejar:

- Vim aqui pelo meu filho que está muito doente.

O patrão ouviu, mas se notava claramente, sem dá muita importância:

- O que seu filho?

- Está a “beira” da morte, está muito fraco, desnutrido.

- O que eu tenho a ver com isso. Não sou médico, já levou ele ao Doutor?

- Já sim e ele disse que o problema de meu filho é desnutrição, se ele não se alimentar bem morrerá em dias.

Celestino já sem paciência por a empregada está lhe atrasando para o café, respondeu rudemente:

- O que eu tenho a ver com isso mulher?

- Será que o Senhor poderia arrumar “algo” para meu filho comer. Alimento “forte” que dê “sustância”, pois em casa só tem fubá e o médico me falou que isso é muito fraco para levantar meu filho da cama.

O fazendeiro já nervoso com o pedido de sua empregada e também por está com uma vontade louca de tomar seu café. Respondeu quase colocando a mulher para fora:

- Mulher faz o seguinte: vai ao mato e pega umas Taiobas, que é bastante forte, e faz um mingau com o fubá que você tem em casa para seu filho. Mas não agora! Agora vai! Volte ao serviço!

Nazaré saiu da Casa Grande humilhada, desesperada, pois sentia que seu filho não duraria muito tempo. Naquele dia não foi ao cafezal, foi para casa para ficar com filho e dali não saiu até a morte dele.

Por não comparecer ao serviço neste tempo que lutava para salvar a vida de seu filho foi colocada para fora da fazenda com uma mão na frente e outra atrás. Com isso realizou seu sonho de ir viver na cidade e lá se transformou numa cozinheira de muito sucesso.

Celestino ficou muito doente do estômago, sua mãe dizia que era por ele comer demais. Ele gostava muito de comer, enquanto que todos usavam pratos, ele comia numa tigela, que sua mãe, brincando e às vezes quando estava magoada com ele, chamava de coxo.

A enfermidade o maltratou muito, tudo que ele comia vomitava, nada parava em seu estômago. Nos seus últimos anos de vida a única “coisa” que parava em seu estômago era mingau de fubá com Taioba.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Uma história de amor ultra romântica

Suiça.Aconteceu há muito, muito tempo atrás na Suíça.
No tempo em que ainda se amarrava cachorro com lingüiça.
O Principie Jurandir se apaixonou por Maria Marajó,
Brasileira, Nordestina, simpática e linda como ela só.

O Nobre lutou contra tudo e contra todos, fez o que fez.
Para ficar com Maria, mesmo ela sendo balconista do Café Inglês.
Sua família tradicional foi a primeira a ir a contra.
Tomou de seu pai a maior bronca:

- Depois não diga que eu não avise! Quer casar, case, que se “dane”.
Isso é vida real, não é novela e nem os filmes de Cannes.

Depois de muita discussão. O Rei disse: "Terá que viver na pobreza".
Jurandir seria deserdado e perderia seu título de nobreza.
Saiu correndo para avisar à Maria, ao sair algo estranho notou e refletiu:
“O cachorro fugiu”.

- Maria agora podemos nos casar tranqüilo, estou livre daquela “prisão”.
Colocou Maria a par de tudo, explicou-lhe toda a situação.
- Não quero casar com você agora que é um “pé de chinelo”.
- Que é isso amor, mas eu quero.
- Chega, de “papo” acabou! Não te amo mais.

Jurandir saiu arrasado, pensou em se atirar em algum daqueles canais.
Mas preferiu voltar para casa e com o pai se desculpa.
E a Maria nunca mais procura.
Ao entrar pelo portão de “cara” algo diferente percebeu e pensou:
“O cão voltou”.

O pai muito bondoso, o filho perdoou, sem antes dá um “esbregue”.
Jurandir tornara um rapaz triste. Ele que sempre fora alegre.
Naquela noite seu coração era só angústia e incertezas.

Não conseguia pensar com muita clareza.
Foi até a janela e notou uma diferença no pátio e profundamente refletiu:
“O vira-lata fugiu”.

Skype 3.0.0.218 y 3.2.0.82

Ya está disponible una nueva versión de Skype, basado en tecnología P2P, que permite realizar llamadas a teléfonos convencionales y ahora con videoconferencia activada por defecto.

Skype, emplea tecnología P2P para conectar a sus usuarios, pero esta vez no para compartir archivos, sino para hablar y chatear entre si.



Skype emplea todos los recursos posibles para enrutar las comunicaciones, haciendo estas más eficientes y fiables.

Skype proporciona una calidad acústica superior, bastante por encima de la proporcionada por la red telefónica convencional, e incluso a través de las líneas de esta.

El programa tiene un aspecto bastante similar a la mayor parte de programas de chat, ofreciendo lista de contactos con los que podremos también chatear.

Skype además dispone de su propio sistema URL, en forma de callto:// el cual nos permitirá desde una página web conectar directamente con un usuario.

Incorpora un sistema de encriptación 256-bit AES, trabaja bajo firewalls, NAT y routers, sin necesidad de tener que configurar nada.

Microsoft demandada por publicidad engañosa

Una usuaria ha demandado a Microsoft por "publicidad engañosa e injusta", ya que el PC adquirido no es compatible con todas las funcionalidades de Windows Vista a pesar de incluir el logotipo "Vista Capable".



La demanda ha sido presentada por Dianne Kelley, ciudadana de Seattle, en Estados Unidos, que adquirió en noviembre de 2006 un ordenador etiquetado con la pegatina "Vista Capable".

Pese a ello, y según la demandante, el PC tiene serios problemas a la hora de ejecutar algunas de las funcionalidades más demandadas de Windows Vista, como por ejemplo el interfaz gráfico Aero.

Es por ello que la usuaria cree que Microsoft está engañando a sus clientes al no indicarles cuando compran sus máquinas, que versión de Windows Vista son capaces de ejecutar.

Microsoft respondió que se ha esforzado siempre en aclarar que existían distintas versiones de Vista, aunque esto no fuera legible en los logos incluidos en cada ordenador.

Es por ello que a partir de ahora en los logos autoadhesivos, avalados por Microsoft, deben ser más claros con respecto a las compatibilidades de los equipos con las distintas versiones de Windows Vista.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

O Senhor de Escravos

Cabra Mimosa.
Bimba seria mais um dos bêbados que “vivia” no boteco do João “serrando” pinga se não fosse seu livre acesso a Fazenda Bem-te-vi, devido sua amizade com os capatazes de lá. Ele ia sempre à fazenda atrás de alguma “coisa” que pudesse pegar e sempre trazia para casa madeiras, colchão, vasos velhos... Tudo quinquilharia jogado fora pelos moradores da Casa Grande.

Mas apesar de Bimba ser um “pé de chinelo”, um zero a esquerda. Os freqüentadores do bar gostavam de pagar cachaça à ele em troca de ouvir suas histórias, principalmente as vindas da Fazenda Bem-te-vi, do Coronel Nélio e suas maldades.

Mas na história que Bimba contava desta vez o Coronel mais parecia um palhaço, divergindo com o que todos sabiam a respeito dele: era um Senhor violento com escravos, tirano com a família, principalmente com a mulher, todos comentavam que ele a tratava aos pontapés, a prendia dentro de casa e até batia nela, no entanto o que o povo gostava mais comentar era seus engraçamentos com as escravas de sua fazenda.

A história tinha vários capítulos, que Bimba contava com um pequeno intervalo para um gole de cachaça, o primeiro principiava com o que vira quando cortara caminho pelo cafezal da fazenda:

- Verdade, o Coronel estava com o maior assanhamento com uma “neguinha” no cafezal e ela parecia gostar, os dois riam muito e corriam de lado para outro.

O outro capítulo foi apreciado por ele quando fizera um serviço de pedreiro na fazenda, assim dizia ele, mas ninguém acreditava que ele realmente era pedreiro, pois nunca o vira fazendo serviço algum:

- Eu achei muito estranho, pensei que o Coronel estava louco. Ele estava correndo atrás de uma cabrita.


“Seu João”, neste momento, já muito interessado na história, indagou:

- Cabrita? Animal?

Bimba respondeu, depois de mais um gole de pinga e repelindo saliva para todos os lados:

- Claro! Cabrita, animal!

- Você achou isso esdrúxulo, espera para ouvir o que vi na última vez que estive lá na fazenda.

- O que? Conta homem!

Disse uns dos fregueses do bar, já estavam todos curiosos para ver aonde aquela história ia dá. Bimba tinha o dom de contar histórias, além de cantar um pouco e recitar poemas Cordel, tudo isso principalmente depois de umas pingas, fora isso não tinha outra habilidade qualquer, nascera com duas mãos esquerdas:

- A senhora, esposa do Coronel, e a escrava correndo atrás da cabrita, ambas com um facão e gritando: “Vem cá sua cabrita sem vergonha, vamos cortar sua cabeça fora!”

A platéia apesar de simples, sem instruções... Entenderam a história, mas não acreditaram muito, pois Bimba já estava meio ébrio, é como ele “vivia”, foi quando um freguês que ouvia a história na porta do bar disse:

- Falando do “diabo”, olha o Coronel lá!

O Coronel Nélio ia de cabeça baixa e muito triste, muito diferente do modo sobranceiro que lhe era peculiar.

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